Ao velho e querido amigo João Leão, Vice Governador da Bahia.

em 02 de março de 2019

Planejamento é a palavra de ordem para distinguir entre pessoas, empresas e sociedades inteiras, as que prosperam mais e as que prosperam menos, nos mais diferentes graus. A prosperidade, portanto, de pessoas, empresas e povos varia em razão da qualidade e da consistência do modo como realizam o planejamento de suas ações. 

O irregular desenvolvimento do Brasil, ao longo de nossa história, é o reflexo da qualidade do planejamento a que o setor público quanto o privado submetem suas políticas e ações. No geral, porém, o setor privado brasileiro tem tido um desempenho sensivelmente melhor do que o público, que tem piorado muito na qualidade da gestão, agravada pelo crescimento da corrupção que atingiu o seu ponto mais alto nos governos do PT, sob Lula e Dilma, como é do conhecimento geral, aqui dentro e mundo afora. 

 

No plano da má qualidade do planejamento, a imprevidência sistemática ganha emblemático relevo em cada um dos aspectos de significado fundamental para a prosperidade dos povos, a começar pelas deficiências de nosso sistema educacional, caro e ineficaz. Os políticos, ao que parece, numa reiterada prática reveladora de cegueira coletiva, continuam agindo como se ignorassem que na sociedade do conhecimento em que estamos imersos, é cada vez maior a relação linear existente entre a qualidade da educação praticada e a prosperidade dos povos. Hoje, diferentemente do passado, é educação o fator propelente, por excelência da qualidade de vida, bem como da redução das desigualdades econômicas e sociais, anomalia em que o Brasil figura, obscenamente, como o campeão mundial. Políticos populistas e anéticos se aproveitam da ingenuidade popular e selvagem das massas incultas para iludi-las com medidas cosméticas sem qualquer poder de transformação de sua trágica realidade. A elevada criminalidade praticada no Brasil tem como sua causa principal o baixo nível de nossa educação pública.  É por ter uma educação de má qualidade que a Bahia se transformou num dos estados mais violentos do Brasil. Essa relação se repete nas diferentes unidades federadas. É mais um custo brutal de nossa imprevidência.

Sem acesso a saneamento básico de qualidade, como ocorre com metade da população brasileira, nossos serviços de saúde, em grande medida, serão como apanhar água em cesto, de tal modo as doenças sociais derivadas dessa precária infraestrutura fundamental continuarão fazendo vítimas fatais. Sem falar nas mortes por infecção hospitalar, área em que figuramos com as piores estatísticas do Planeta, como expusemos no livro As sete pragas do Brasil Moderno. Na média nacional, um pouco mais de 80% dos pacientes internados em hospitais contraem uma ou mais doenças que não aquelas que os levaram à hospitalização. Atenção: não estamos dizendo que todos os que contraem infecção hospitalar morrem. Dizemos que os que morrem em decorrência das doenças contraídas quando hospitalizados representam o maior número de mortes do País, acima de outra causa qualquer, violenta ou não. 

A matança oriunda de nosso indisciplinado tráfego é o reflexo de termos motoristas de hoje, dirigindo carros de amanhã em estradas de ontem. A BR 101, grande cemitério a céu aberto, é exemplo clássico dessa anomalia, que nos leva, diariamente a chorar os mortos de nossa reiterada imprevidência.

O desastre ecológico na Barragem do Fundão, em Mariana, que vitimou o Rio Doce e afluentes, além da perda de 19 vidas, em 05 de novembro de 2015, não serviu de alerta para evitarmos a tragédia humana de Brumadinho, com mais de trezentas vítimas fatais, ambos em Minas Gerais. Não temos sido previdentes, sequer, para proibir construções a jusante dos barramentos, uma vez que ao risco potencial de ruptura por erro técnico ou de manutenção, existe a crescente possibilidade de sabotagem ou terrorismo..

Explica-se porque o humano, em geral, com ênfase especial para os brasileiros, é o único animal que tropeça, mais de uma vez, na mesma pedra.


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